Comores: As ilhas da Lua e do Grande Casamento
As Comores são as ilhas da Lua — é o que significa o seu nome em árabe. Este arquipélago de 900 000 habitantes, entre Madagáscar e Moçambique, é um dos países mais instáveis de África: mais de 20 golpes de Estado ou tentativas desde a independência em 1975. Mas é também o país do Grande Casamento, essa instituição social onde o homem deve organizar uma festa sumptuosa para aceder ao estatuto de adulto realizado.
A Instabilidade Crónica
As Comores conheceram Bob Denard, o mercenário francês que fez e desfez presidentes durante décadas. Hoje, Azali Assoumani — ele próprio chegado por golpe de Estado em 1999 — agarra-se ao poder. Mayotte, a quarta ilha, escolheu ficar francesa em 1974, criando uma tensão permanente. A economia — baunilha, cravo, ylang-ylang — é frágil.
A Força Ubuntu: Grande Casamento e Diáspora
O Grande Casamento (anda) é a instituição central da sociedade comoriana. Um homem deve organizar esta festa sumptuosa — vários meses de salário — para obter o direito de falar nas assembleias aldeãs. É constrangedor mas também redistributivo: o dinheiro circula, as solidariedades tecem-se. A diáspora (sobretudo em França) é o pilar económico: as remessas representam 25% do PIB.
« Mwana wa mtu ni mwana wangu »
O filho de alguém é meu filho
— Provérbio comorien
As Comores ensinam-nos que as pequenas ilhas podem ter grandes instituições sociais, e que a festa pode ser uma forma de governação.