Congo: A sapologia e o petróleo
O Congo-Brazzaville — a não confundir com o grande vizinho RDC — é um pequeno país de 6 milhões de habitantes que tem duas obsessões: o petróleo e a elegância. O petróleo representa 90% das exportações e financia um Estado clientelista. A elegância é a SAPE — a Sociedade dos Animadores e Pessoas Elegantes —, essa filosofia vestimentária que transforma homens pobres em dandis resplandecentes.
Sassou-Nguesso e o Petróleo
Denis Sassou-Nguesso está no poder desde 1979 (com uma interrupção 1992-1997). É um dos mais antigos dirigentes do mundo. O petróleo de Pointe-Noire financia o seu regime, mas as receitas são mal distribuídas. Brazzaville contrasta com o interior do país, abandonado. A guerra civil de 1997-1999 fez milhares de mortos. Desde então, é uma estabilidade autoritária.
A Força Ubuntu: SAPE e Rumba
A SAPE é muito mais do que moda — é uma filosofia. Ser sapeur é afirmar a dignidade pela elegância, transformar a pobreza em arte de viver. Os sapeurs de Bacongo, fatos de três peças e sapatos Weston, desfilam ao domingo como numa passerelle. A rumba congolesa — Franco, Papa Wemba (que era também sapeur) — nasceu nas duas margens do rio Congo. A literatura (Sony Labou Tansi, Alain Mabanckou) brilha internacionalmente.
« Muntu ni muntu na bantu »
Uma pessoa é uma pessoa graças às outras
— Provérbio kikongo
O Congo ensina-nos que a elegância é uma forma de resistência, e que a beleza pode nascer mesmo quando os bolsos estão vazios.