Madagáscar: A ilha-continente entre lémures e pobreza
Madagáscar é uma ilha-continente — a quarta maior ilha do mundo, um santuário de biodiversidade onde 90% das espécies são endémicas. Os lémures, os embondeiros, os camaleões — Madagáscar é um tesouro natural único. Mas este país de 29 milhões de habitantes é também um dos mais pobres do mundo, devastado por crises políticas recorrentes, a desflorestação, e ciclones cada vez mais violentos.
A Pobreza no Paraíso
Madagáscar tem todos os trunfos — terras férteis, minérios, potencial turístico — mas permanece desesperadamente pobre. As crises políticas (2002, 2009) quebraram o impulso económico de cada vez. A infraestrutura é catastrófica: a maioria das estradas fica intransitável na estação das chuvas. A desflorestação — para carvão vegetal, agricultura de queimada — destrói o ecossistema único. 75% da população vive abaixo do limiar de pobreza.
A Força Ubuntu: Fihavanana e Famadihana
O fihavanana — a solidariedade, o laço social — é o conceito central da cultura malgaxe. Não se deixa um membro da comunidade em necessidade. O famadihana (retorno dos mortos) é uma cerimónia onde se exumam os antepassados para os envolver em novos sudários e dançar com eles — celebração alegre do laço entre vivos e mortos. A música (salegy, hira gasy) anima as festas.
« Ny tany tsy miova fa ny olona no miova »
A terra não muda, são as pessoas que mudam
— Provérbio malgache
Madagáscar lembra-nos que a beleza natural não garante o desenvolvimento, e que os antepassados esperam de nós que cuidemos da sua terra.