Gabão: O fim dos Bongo e o início de outra coisa
O Gabão foi durante 56 anos o reino dos Bongo — Omar (1967-2009) e depois Ali (2009-2023). Este pequeno país de 2,3 milhões de habitantes, rico em petróleo e florestas, era um aliado fiel da França, um ilhéu de estabilidade numa região turbulenta. O golpe de Estado de agosto de 2023, que derrubou Ali Bongo minutos após a sua reeleição contestada, pôs fim a esta dinastia. Uma nova página abre-se.
O Pós-Bongo
O general Oligui Nguema, primo de Bongo, tomou o poder com o apoio do exército e de uma parte da população exasperada pelas eleições fraudulentas. A transição está em curso, com as suas promessas e incertezas. A economia petrolífera continua dominante, mas as reservas esgotam-se. O Gabão aposta na madeira, no manganês, e no ecoturismo — as suas florestas abrigam gorilas e elefantes.
A Força Ubuntu: Bwiti e Florestas
O Gabão é o país do Bwiti, essa religião iniciática baseada na iboga — uma planta alucinogénia usada em cerimónias de passagem. O Bwiti conecta os vivos e os mortos, estrutura as comunidades Fang e Punu. As florestas gabonesas — entre as mais bem preservadas de África — são catedrais verdes. As solidariedades familiares permanecem fortes, mesmo que a renda petrolífera tenha criado desigualdades.
« L'étranger qui a des yeux ne connaît pas le chemin »
É preciso um guia local para avançar
— Provérbio fang
O Gabão mostra-nos que as dinastias acabam sempre, e que os povos podem despertar. Resta saber se o despertar gabonês abrirá uma nova era ou um novo ciclo.