Guiné Equatorial: O petróleo, o silêncio e a ditadura
A Guiné Equatorial é o país mais rico de África por habitante — e um dos mais pobres. Este paradoxo explica-se em duas palavras: petróleo e ditadura. Teodoro Obiang Nguema está no poder desde 1979 — o mais antigo ditador do mundo. A sua família vive num luxo obsceno (jatos privados, mansões em Paris, carros de coleção) enquanto a maioria dos 1,6 milhões de habitantes não tem acesso a água potável.
A Cleptocracia Perfeita
O petróleo equato-guineense, descoberto nos anos 1990, transformou este pequeno país num Estado rentista. Mas as receitas vão diretamente para os bolsos do clã Obiang. O filho, Teodorín, é conhecido pelas suas festas sumptuosas e pelos seus processos judiciais em França. A oposição é inexistente, a imprensa amordaçada, as eleições são farsas. O país é um buraco negro da informação.
A Força Ubuntu: Sobreviver e Calar
Neste contexto de terror, os equato-guineenses sobrevivem. As solidariedades familiares são a única rede de segurança. A cultura fang e bubi persiste discretamente. O espanhol — único país africano hispanófono — conecta o país à América Latina. Mas a alegria de viver é sufocada pelo medo e pela miséria. É talvez o país africano onde o Ubuntu está mais danificado.
« El que no tiene madre, la siente »
Quem não tem mãe sente a sua falta
— Provérbio espagnol équato-guinéen
A Guiné Equatorial lembra-nos que a riqueza sem justiça é um roubo, e que o silêncio não é a paz. Um dia, os equato-guineenses falarão.