Argélia: O gigante adormecido entre memória e futuro
A Argélia é o maior país de África em superfície, um gigante de 2,4 milhões de km² dos quais 80% de Saara. Com 45 milhões de habitantes e reservas consideráveis de gás e petróleo, este país deveria ser uma potência regional incontestada. Mas a Argélia permanece prisioneira da sua história gloriosa — a guerra da independência contra a França (1954-1962), um milhão de mártires — e tem dificuldade em inventar o seu futuro. O Hirak de 2019, esse movimento popular que derrubou Bouteflika, mostrou uma juventude vibrante que recusa a fatalidade.
A Economia da Renda
A Argélia vive do petróleo e do gás — 95% das exportações, 60% do orçamento do Estado. Esta renda permitiu construir infraestruturas, subsidiar produtos básicos, manter uma paz social relativa. Mas também criou uma economia pouco diversificada, um setor privado atrofiado, uma dependência perigosa das cotações mundiais. O desemprego jovem ultrapassa os 30%, empurrando milhares de harraga a arriscarem a vida no Mediterrâneo.
A Força Ubuntu: Solidariedades Familiares e Orgulho Nacional
A Argélia é um país de solidariedades familiares intensas. A família alargada continua a ser a primeira rede de segurança social. A cultura berbero-árabe forjou uma identidade forte, um sentido de honra (nif) e de hospitalidade. O futebol — a seleção nacional, os Fennecs — cristaliza um orgulho coletivo que transcende as divisões. O raï, nascido nos cabarés de Orão, tornou-se a voz de uma juventude que quer viver.
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A paciência é a chave da libertação
— Provérbio arabe algérien
A Argélia lembra-nos que a memória pode ser uma força e uma prisão. O país dos mártires deve agora inventar uma narrativa para os vivos. Como diz o provérbio: quem não sabe de onde vem não sabe para onde vai. A Argélia sabe de onde vem — resta decidir para onde quer ir.