Líbia: O país fraturado entre duas capitais
A Líbia é um país que já não existe verdadeiramente. Desde a queda de Kadhafi em 2011, este vasto território de 1,8 milhões de km² está dilacerado entre dois governos rivais — Trípoli a oeste, Bengazi a leste —, milícias inumeráveis, e potências estrangeiras que puxam os cordéis. Com 7 milhões de habitantes assentes sobre as maiores reservas petrolíferas de África, a Líbia teria tudo para ser próspera. Tornou-se um inferno.
A Maldição do Petróleo
O petróleo líbio — 48 mil milhões de barris de reservas provadas — é ao mesmo tempo a causa e o objeto do conflito. Cada fação quer controlar os terminais petrolíferos, as refinarias, as receitas. A National Oil Corporation tenta manter a produção, mas os bloqueios são frequentes. O dinheiro do petróleo financia as milícias em vez das escolas. A economia formal desmoronou-se, substituída pelo tráfico — de armas, de migrantes, de divisas.
A Força Ubuntu: Tribos e Sobrevivência
No caos líbio, as solidariedades tribais são o último recurso. As grandes tribos — Warfalla, Qadhadhfa, Zintan, Misrata — oferecem proteção e identidade quando o Estado desapareceu. As famílias unem-se, os bairros organizam-se. Leptis Magna e Sabratha, joias romanas, testemunham um passado glorioso que os líbios não esqueceram.
« El-jar qabl el-dar »
O vizinho antes da casa
— Provérbio arabe libyen
A Líbia lembra-nos que as revoluções podem devorar os seus filhos, e que a queda de um ditador não faz a primavera. O petróleo sem instituições é uma maldição. A Líbia ainda espera que os seus filhos se falem.