Burkina Faso: O país dos Homens Íntegros na tormenta
Burkina Faso — o país dos Homens Íntegros. Este nome, escolhido por Thomas Sankara em 1984 para substituir o Alto Volta colonial, diz tudo de um ideal. Sankara, o Che Guevara africano, quis inventar outro caminho: autossuficiência alimentar, emancipação das mulheres, recusa da dívida. Foi assassinado em 1987, mas o seu fantasma ainda assombra este país de 22 milhões de habitantes hoje devastado pelo jihadismo e pelos golpes de Estado.
A Espiral da Insegurança
Desde 2015, o Burkina Faso está preso numa espiral jihadista. Os grupos armados ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico controlam partes inteiras do território. Dois golpes de Estado em 2022 levaram ao poder jovens capitães que prometem a reconquista. As milícias de autodefesa (VDP) multiplicam-se, com o seu lote de abusos. Mais de 2 milhões de deslocados internos. A economia agrícola — algodão, ouro — colapsa.
A Força Ubuntu: Parentesco por Brincadeira e Resiliência
Apesar do caos, o Burkina resiste pelas suas solidariedades. O parentesco por brincadeira (rakiiré) entre etnias — Mossi e Fulas, Bissa e Gourounsi — desarma as tensões pelo humor ritualizado. As famílias unem-se. O FESPACO, maior festival de cinema africano, continua contra ventos e marés. E a memória de Sankara — os seus discursos, a sua integridade — permanece uma bússola moral.
« Sã n pa a nong ye, fo pa yaa »
Se não tens cavalo, caminhas
— Provérbio mooré
O Burkina lembra-nos que os heróis podem morrer mas não as suas ideias. Sankara sonhava com um país de pé. O Burkina está de joelhos, mas não esqueceu como se levantar.