Costa do Marfim: A fénix da África Ocidental
A Costa do Marfim é a fénix da África Ocidental. Após uma década de crise — guerra civil, partição do país, crise pós-eleitoral de 2010-2011 —, este país de 28 milhões de habitantes operou uma recuperação espetacular. Abidjan voltou a ser a capital económica da sub-região, os arranha-céus crescem no Plateau, o cacau corre em abundância. Mas as fraturas da Ivoirité — essa ideologia da exclusão que dilacerou o país — não estão totalmente fechadas.
O Milagre Económico Marfinense
A Costa do Marfim é o primeiro produtor mundial de cacau (45% da produção), o primeiro exportador de castanha de caju, um hub portuário (Abidjan, San Pedro) para toda a sub-região. O crescimento económico ultrapassa os 6% ao ano há uma década. As infraestruturas modernizam-se: pontes, autoestradas, metro de Abidjan em construção. Mas este crescimento é desigual: o Norte continua atrasado, o desemprego jovem é elevado.
A Força Ubuntu: Coupé-Décalé e Resiliência
Os marfinenses inventaram o coupé-décalé — essa música da ostentação e da alegria, nascida nos maquis de Abidjan e nos clubes de Paris. É uma filosofia: dança-se mesmo quando vai mal. O zouglou, mais comprometido, conta as dificuldades dos gbagbos (jovens precários). A hospitalidade marfinense é real, mesmo que a Ivoirité tenha criado desconfianças. Os marfinenses têm uma capacidade notável de recuperação.
« Qui est derrière la daba est devant le repas »
Quem trabalha comerá
— Provérbio dioula
A Costa do Marfim ensina-nos que os países podem renascer das cinzas, mas que a reconciliação é um trabalho de longo fôlego. O cacau é doce, mas as memórias são longas.