Djibuti: O pequeno país das grandes bases militares
Djibuti é um confete — 23 000 km², 1 milhão de habitantes — mas um confete estratégico. Este pequeno país do Corno de África, à entrada do mar Vermelho, acolhe bases militares francesas, americanas, chinesas, japonesas, italianas. É o único lugar do mundo onde os exércitos das grandes potências se cruzam. Djibuti vende a sua geografia, por falta de recursos naturais.
A Economia da Renda Geoestratégica
Djibuti vive das rendas das bases militares e do seu porto — vital para a Etiópia encravada. O presidente Guelleh está no poder desde 1999, após o tio desde 1977. É uma estabilidade autoritária: oposição reprimida, imprensa controlada. O khat — essa planta estimulante mascada diariamente — é uma dependência nacional que consome uma parte importante dos rendimentos das famílias.
A Força Ubuntu: Hospitalidade dos Nómadas
Djibuti é um país de nómadas — Afars e Issas — que aprenderam a sobreviver num ambiente hostil. O deserto forja as solidariedades: partilha-se a água, o leite, a sombra. A hospitalidade é um dever sagrado. A música djiboutiana, os cantos das mulheres, mantêm uma cultura viva apesar da modernização rápida. A coabitação Afar-Issa é geralmente pacífica.
« Ninka dugsada reebay qofka runta sheegtaa reebaa »
Quem escapa ao mentiroso não escapa a quem diz a verdade
— Provérbio somali djiboutien
Djibuti ensina-nos que a geografia pode ser um recurso — e que os pequenos podem tirar proveito das rivalidades dos grandes.