Tanzânia: O Ujamaa de Nyerere e o kiswahili
A Tanzânia é o país de Julius Nyerere — Mwalimu, o mestre. Este pai da nação inventou o Ujamaa, o socialismo africano baseado na família alargada. A experiência fracassou economicamente, mas conseguiu criar uma nação unida: a Tanzânia é um dos raros países africanos sem tensões étnicas maiores. O kiswahili, língua nacional, é o cimento de um povo de 63 milhões de habitantes.
Do Socialismo ao Liberalismo
Após o fracasso do Ujamaa, a Tanzânia abriu-se ao mercado. O crescimento económico é sustentado (turismo, agricultura, gás). Mas o país viveu um parêntese autoritário sob Magufuli (2015-2021), o bulldozer que negava a Covid. A sua sucessora Samia Suluhu Hassan — primeira mulher presidente da África Oriental — reabriu o país. A união com Zanzibar permanece frágil.
A Força Ubuntu: Kiswahili e Unidade
O kiswahili é a alma da Tanzânia. Esta língua bantu, enriquecida com árabe, é falada por todos os tanzanianos, transcendendo as 120 etnias. Nyerere impôs o kiswahili na escola, apagando o tribalismo político. As solidariedades familiares e aldeãs permanecem fortes. O Bongo Flava (hip-hop tanzaniano), o futebol, o orgulho do Kilimanjaro e do Serengeti unem o país.
« Umoja ni nguvu, utengano ni udhaifu »
A união faz a força, a divisão faz a fraqueza
— Provérbio kiswahili
A Tanzânia mostra-nos que uma nação pode construir-se pela língua e pela educação, e que o fracasso económico não impede o êxito social.