Burúndi: Os tambores sagrados e a reconciliação impossível
O Burúndi é o país dos tambores sagrados — os batimbo, classificados como património da UNESCO, que marcam o ritmo das cerimónias reais há séculos. Mas este pequeno país de 12 milhões de habitantes, um dos mais densamente povoados de África, é também dilacerado pela mesma fratura que o vizinho ruandês: Hutu e Tutsi. A crise de 2015, quando o presidente Nkurunziza forçou um terceiro mandato, reabriu as feridas.
O Pós-Nkurunziza
Pierre Nkurunziza morreu em 2020, após ter modificado a constituição para permanecer no poder. O seu sucessor Évariste Ndayishimiye prometeu abertura, mas o sistema continua autoritário. A economia — café, chá, agricultura de subsistência — é uma das mais pobres do mundo. A densidade demográfica (mais de 400 habitantes/km²) pesa sobre as terras. O encravamento total agrava o isolamento.
A Força Ubuntu: Tambores e Colinas
Apesar das fraturas, os burundeses partilham uma cultura comum. Os tambores reais, tocados coletivamente, são um símbolo de unidade. A vida nas colinas (o Burúndi é o país das mil colinas, como o Ruanda) cria solidariedades de vizinhança. A Igreja católica desempenha um papel central. A reconciliação Hutu-Tutsi avança lentamente, pela base mais do que pelo topo.
« Imbwa iri mu nzu ntiyirirwa inyuma »
O cão que está em casa não ladra lá fora
— Provérbio kirundi
O Burúndi lembra-nos que os tambores podem chamar à guerra ou à paz — tudo depende de quem os toca. As colinas ainda esperam que os seus filhos se reencontrem.