Eritreia: A Coreia do Norte africana
A Eritreia é a Coreia do Norte de África. Este país de 3,6 milhões de habitantes, que conquistou a sua independência em 1993 após 30 anos de guerra contra a Etiópia, tornou-se uma prisão a céu aberto. Isaias Afwerki, presidente desde a independência, instaurou um regime totalitário: sem eleições, sem imprensa livre, serviço militar indefinido, fronteiras fechadas. Centenas de milhares de eritreus fugiram.
O Serviço Militar Eterno
O serviço militar eritreu é oficialmente de 18 meses. Na realidade, pode durar décadas. Os jovens são recrutados, enviados para campos, usados como mão de obra gratuita. Quem recusa é preso ou torturado. É a principal causa do êxodo: os eritreus representam uma das maiores populações de refugiados do mundo, relativamente ao tamanho do país.
A Força Ubuntu: Solidariedades do Exílio
A Eritreia oficial está sufocada. Mas a diáspora eritreia — na Europa, nos Estados Unidos, no Sudão — mantém solidariedades fortes. Os eritreus enviam dinheiro às famílias, reencontram-se nas igrejas ortodoxas e nas mesquitas, preservam a sua cultura (música, dança, cozinha). No interior do país, as solidariedades familiares são o único refúgio contra o Estado.
« Hade hade yserq »
Pouco a pouco, o ladrão é apanhado
— Provérbio tigrinya
A Eritreia lembra-nos que a independência pode levar à prisão, e que a liberdade se conquista duas vezes: contra o colonizador, depois contra o tirano que lhe sucede.