Guiné-Bissau: O país dos golpes de Estado e do gumbé
A Guiné-Bissau é o país africano que mais golpes de Estado conheceu por habitante. Este pequeno país de 2 milhões de habitantes, encravado entre o Senegal e a Guiné, conheceu quatro golpes de Estado bem-sucedidos desde 1980, várias tentativas, e uma instabilidade crónica. O narcotráfico — a cocaína colombiana transita por Bissau rumo à Europa — corrompeu o Estado. Mas por trás deste caos, há um povo crioulo que dança o gumbé e se recusa a desesperar.
O Narco-Estado
A Guiné-Bissau tornou-se uma plataforma giratória do narcotráfico nos anos 2000. Os cartéis latino-americanos corromperam o exército, a polícia, os políticos. Os aviões carregados de cocaína aterravam em pistas clandestinas. A economia legal — essencialmente castanha de caju — não pode rivalizar com o dinheiro da droga. O Estado é fantasmagórico, as infraestruturas inexistentes.
A Força Ubuntu: Crioulidade e Carnaval
A Guiné-Bissau é um país crioulo — o kriol é a língua franca, mistura de português e línguas africanas. Esta identidade crioula transcende as etnias (Balantas, Fulas, Manjacos). O carnaval de Bissau, com as suas máscaras e danças, é uma explosão de alegria. O gumbé — música nascida nos bairros populares — faz dançar todo o país. As solidariedades familiares compensam a ausência do Estado.
« Fidju di terra ka ta perde si raiz »
O filho da terra não perde as suas raízes
— Provérbio kriol
A Guiné-Bissau ensina-nos que a alegria pode sobreviver ao caos, e que a música é por vezes o único governo que funciona.