Libéria: A terra da liberdade em reconstrução
A Libéria — a terra da liberdade. Fundada em 1847 por escravos americanos libertados, este país de 5 milhões de habitantes carrega no seu nome e na sua bandeira (decalcada dos Estados Unidos) as marcas desta história singular. Mas a liberdade tem um sabor amargo quando se atravessaram 14 anos de guerra civil (1989-2003), Charles Taylor e as suas crianças-soldado, a epidemia de Ébola (2014-2015). A Libéria reconstrói-se lentamente, presidida um tempo por uma estrela do futebol: George Weah.
A Reconstrução Após o Inferno
A guerra civil liberiana causou 250 000 mortos e traumatizou gerações. As crianças-soldado, drogadas e armadas, cometeram atrocidades indizíveis. O Ébola matou depois 5 000 pessoas e paralisou o país. A reconstrução é lenta: as estradas continuam esburacadas, a eletricidade rara, as escolas subequipadas. A economia assenta na borracha, no ferro e na ajuda internacional.
A Força Ubuntu: Reconciliação e Fé
A Libéria escolheu a reconciliação em vez da vingança. A Comissão Verdade e Reconciliação documentou os crimes. Os liberianos, profundamente cristãos, encontraram na fé a força para perdoar. Ellen Johnson Sirleaf, primeira mulher presidente de África (2006-2018), simbolizou um novo começo. As solidariedades comunitárias, postas à dura prova pela guerra, reconstroem-se.
« Monkey work, baboon eat »
O macaco trabalha, o babuíno come
— Provérbio liberian english
A Libéria lembra-nos que a liberdade não se dá — constrói-se, geração após geração, sobre as ruínas da violência. A terra da liberdade ainda está a aprender a ser livre.