Namíbia: O deserto, os diamantes e a reconciliação
A Namíbia é um país de desertos — o Namibe, o mais antigo do mundo, e o Kalahari a leste. Este país de 2,6 milhões de habitantes, um dos menos densamente povoados de África, conquistou a sua independência em 1990, após uma longa luta contra a ocupação sul-africana. Desde então, a Namíbia construiu uma democracia estável, geriu os seus diamantes e urânio com sabedoria, e tentou reconciliar um país marcado pelo apartheid.
O Modelo de Gestão dos Recursos
A Namíbia é um dos raros países africanos que evitou a maldição dos recursos. Os diamantes da Costa dos Esqueletos, o urânio de Rössing — estas riquezas são geridas através de joint-ventures com o Estado. O país inventou também as conservancies, zonas onde as comunidades locais gerem a fauna e dela retiram receitas. O turismo (Etosha, dunas de Sossusvlei) prospera.
A Força Ubuntu: Reconciliação e Conservancies
A Namíbia herdou do apartheid sul-africano as suas desigualdades: os fazendeiros brancos possuem ainda grande parte das terras. A reforma agrária avança lentamente, por compra e não por expropriação. As comunidades locais — Ovambo, Herero, Himba, Nama, San — coabitam pacificamente. O trauma do genocídio herero (1904-1908) pelos alemães continua a ser uma ferida aberta, recentemente reconhecida.
« Omundu oye omukwetu »
Uma pessoa é teu parente
— Provérbio oshiwambo
A Namíbia mostra-nos que o deserto pode florescer com boas políticas, e que a reconciliação é um caminho, não um destino.