Botsuana: O diamante da democracia africana
O Botsuana é a exceção que confirma a regra — ou melhor, que a destrói. Na independência em 1966, era um dos países mais pobres do mundo, sem infraestrutura, com 12 quilómetros de estradas asfaltadas. Hoje, é uma das histórias de sucesso mais notáveis do continente: uma democracia ininterrupta há 58 anos, uma gestão exemplar das receitas do diamante, e uma classe média emergente.
O Milagre do Diamante Bem Gerido
Em 1967, um ano após a independência, descobriram-se diamantes em Orapa. Outros países teriam sucumbido à maldição dos recursos. O Botsuana fez o contrário. As receitas do diamante foram investidas na educação, na saúde, nas infraestruturas. A parceria com a De Beers (Debswana, 50-50) tornou-se um modelo. Hoje, o Botsuana tem um rendimento per capita comparável ao de alguns países da Europa de Leste. O sistema de saúde funciona, a educação é gratuita até ao secundário.
A Força Ubuntu: Os Valores Tswana
O Botsuana soube preservar as suas instituições tradicionais ao mesmo tempo que construía um Estado moderno. O kgotla — assembleia aldeã onde cada um pode tomar a palavra — continua a ser a base da deliberação coletiva. Os valores tswana de respeito (tlotlo), entreajuda (thusano) e consenso ainda estruturam a vida social. A coesão nacional é notável para um país com vários grupos étnicos.
« Motho ke motho ka batho »
Uma pessoa é uma pessoa graças às outras pessoas
— Provérbio setswana
O Botsuana lembra-nos que a maldição dos recursos não é uma fatalidade, que a democracia pode enraizar-se em África sem tutor ocidental, e que a sabedoria dos anciãos pode coabitar com a modernidade. Como diz um provérbio tswana: o chefe é chefe pelo povo.