África do Sul: O arco-íris sem eletricidade
A África do Sul é a nação arco-íris — foi assim que Desmond Tutu a batizou após o fim do apartheid em 1994. Este país de 60 milhões de habitantes, o mais industrializado de África, carregava todas as esperanças do continente. Trinta anos depois, o arco-íris empalidece: desemprego de 30%, criminalidade entre as mais elevadas do mundo, desigualdades herdadas do apartheid, cortes de eletricidade crónicos (loadshedding).
O Loadshedding e o Declínio
A Eskom, empresa pública de eletricidade, é o símbolo do declínio sul-africano. Cortes de energia de 10 horas por dia paralisam a economia. O ANC, no poder desde 1994, está minado pela corrupção (a era Zuma). Os townships continuam a ser guetos. As violências xenófobas contra migrantes africanos mancham o ideal ubuntu. A classe média negra progride, mas não rápido o suficiente.
A Força Ubuntu: Mandela e a Resiliência
O Ubuntu nasceu aqui — essa filosofia que diz eu sou porque nós somos. Mandela encarnou-o ao escolher a reconciliação em vez da vingança. Os sul-africanos, apesar de tudo, continuam a lutar. A sociedade civil é vibrante, a imprensa livre, a justiça independente. A música (kwaito, amapiano) faz dançar o mundo. O râguebi e o críquete unem momentaneamente.
« Ubuntu ngumuntu ngabantu »
Eu sou porque nós somos
— Provérbio zoulou
A África do Sul lembra-nos que o fim da injustiça não é o fim da desigualdade, e que os milagres políticos devem ser seguidos de milagres económicos.