Serra Leoa: Os diamantes de sangue e a reconciliação
A Serra Leoa evoca os diamantes de sangue, as crianças-soldado, o filme Blood Diamond. Entre 1991 e 2002, uma guerra civil de uma brutalidade inaudita causou 50 000 mortos e traumatizou todo um país. Os rebeldes do RUF, financiados pelos diamantes, cortavam as mãos de civis para aterrorizar a população. Vinte anos depois, a Serra Leoa reconstrói-se lentamente, com uma resiliência que impõe respeito.
A Reconstrução Lenta
Após a guerra, o Ébola (2014-2016) atacou, matando 4000 pessoas e paralisando a economia. As infraestruturas continuam deficientes, a pobreza generalizada. Os diamantes — fonte da maldição — são agora melhor controlados via o processo de Kimberley. A economia assenta no ferro, na bauxite, na pesca. As eleições de 2018 e 2023 foram contestadas mas não degeneraram.
A Força Ubuntu: Perdão e Solidariedades
Como perdoar o imperdoável? A Serra Leoa tentou uma resposta com o Tribunal Especial (que julgou Charles Taylor) e a Comissão Verdade e Reconciliação. Carrascos e vítimas encontraram-se frente a frente, falaram, por vezes perdoaram. As solidariedades comunitárias permitiram reintegrar os ex-combatentes. A música palm wine, o futebol, a fé cristã ajudaram a cicatrizar.
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Onde quer que vá, sei de onde venho
— Provérbio krio
A Serra Leoa ensina-nos que a reconciliação é possível — não fácil, não completa, mas possível. As mãos cortadas não voltarão a crescer, mas um país pode aprender a viver com os seus fantasmas.