Essuatíni: O último reino absoluto de África
O Essuatíni (ex-Suazilândia) é o último reino absoluto de África. O rei Mswati III reina sem partilha desde 1986 sobre este pequeno país de 1,2 milhões de habitantes encravado entre a África do Sul e Moçambique. O rei tem 15 esposas, uma fortuna estimada em 200 milhões de dólares, e um gosto por carros de luxo. Entretanto, 60% dos seus súbditos vivem abaixo do limiar de pobreza e o país tem a taxa de VIH mais elevada do mundo.
As Manifestações de 2021
Em 2021, os suázis saíram à rua para reclamar democracia. A repressão foi brutal: dezenas de mortos, centenas de feridos. O rei restabeleceu a ordem pela força. Os partidos políticos são proibidos, a imprensa amordaçada. A economia — açúcar, têxtil, turismo — depende largamente da África do Sul vizinha.
A Força Ubuntu: Tradições e Sobrevivência
O Essuatíni mantém tradições vivas: a cerimónia do Umhlanga (dança dos juncos), onde milhares de jovens mulheres desfilam perante o rei, é espetacular — e controversa. A cerimónia do Incwala (festa das primícias) celebra o rei e a colheita. As solidariedades familiares e clânicas são a verdadeira rede de segurança. O VIH/SIDA dizimou uma geração inteira.
« Injobo enhle ngeyakwabonina »
O belo pano veste-se entre os vizinhos
— Provérbio siswati
O Essuatíni lembra-nos que as tradições podem ser belas e opressivas, e que os reis podem dançar enquanto o seu povo sofre.