Chade: O Toumaï, as guerras e a sobrevivência
O Chade é o berço da humanidade — foi aqui que se descobriu Toumaï, o mais antigo crânio de hominídeo (7 milhões de anos). Mas este país de 17 milhões de habitantes, espremido entre o Saara e o Sahel, é também o país das guerras perpétuas. Desde a independência em 1960, o Chade conheceu mais golpes de Estado e rebeliões do que a maioria dos países num século. A dinastia Déby (pai e filho) tenta aguentar.
Os Déby e as Rebeliões
Idriss Déby tomou o poder em 1990 pelas armas, depois de ter sido ele próprio rebelde. Reinou 30 anos, sobrevivendo a múltiplas rebeliões. A sua morte em combate em 2021 — no dia seguinte à reeleição — levou o filho Mahamat ao poder. A transição arrasta-se. O petróleo de Doba financia o exército mais do que o desenvolvimento. O norte desértico é o terreno de jogo de rebeldes e jihadistas.
A Força Ubuntu: Solidariedades Nómadas
O Chade é um país de nómadas — Toubous, Árabes, Fulas — e de sedentários do sul. Estas comunidades têm solidariedades fortes: partilha-se a água, o gado, a hospitalidade. O lago Chade, que perdeu 90% da sua superfície em 50 anos, continua a ser um lugar de vida e de trocas. A música chadiana, as danças tradicionais, os contos à volta do fogo mantêm um fio cultural.
« L'eau qui dort est plus dangereuse que celle qui court »
Desconfia das aparências calmas
— Provérbio arabe tchadien
O Chade lembra-nos que todos viemos do mesmo lugar — um berço africano. E que 7 milhões de anos depois, ainda procuramos como viver juntos.