Etiópia: O império milenar em chamas
A Etiópia é o único país africano que nunca foi colonizado (salvo uma breve ocupação italiana). Este país de 120 milhões de habitantes — o segundo de África — carrega 3000 anos de história: a rainha de Sabá, a Arca da Aliança em Aksum, as igrejas rupestres de Lalibela. Mas o império milenar está em chamas: a guerra do Tigré (2020-2022) causou centenas de milhares de mortos, e outros conflitos fervilham.
As Guerras de Abiy Ahmed
Abiy Ahmed recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2019 por ter feito a paz com a Eritreia. Um ano depois, lançava uma guerra contra o Tigré, a sua própria região do norte. O balanço é catastrófico: fome usada como arma, massacres, violações sistemáticas. A paz de 2022 é frágil. Outras regiões (Oromia, Amhara) estão em rebelião. O federalismo étnico etíope estala por todos os lados.
A Força Ubuntu: Café e Espiritualidade
A Etiópia é o berço do café — e a cerimónia do café, com os seus três serviços, é um ritual de convivialidade. A Igreja Ortodoxa Etíope, uma das mais antigas do cristianismo, estrutura a vida de milhões de fiéis. Os muçulmanos (35% da população) coabitam geralmente em paz. A música ethio-jazz (Mulatu Astatke), a cozinha (injera, doro wat), os atletas (Haile Gebreselassie) irradiam pelo mundo.
« ከሞኝ ጋር አትጣላ ካወቀ ያፍራል »
Não discutas com um louco, pois se compreender, terá vergonha
— Provérbio amharique
A Etiópia lembra-nos que os impérios podem desmoronar-se por dentro, e que o Prémio Nobel da Paz não imuniza contra a guerra.