Sudão do Sul: O sonho partido da mais jovem nação do mundo
A 9 de julho de 2011, o Sudão do Sul tornou-se o 54.º país de África e o mais jovem Estado do mundo, na euforia de um referendo onde 98,83% dos sul-sudaneses votaram pela independência. Dois anos depois, em dezembro de 2013, o sonho desmoronava: o presidente Salva Kiir e o vice-presidente Riek Machar mergulhavam o país numa guerra civil étnica. Com uma pontuação IJVA de 22/100, o Sudão do Sul é o país mais baixo do ranking — um Estado que nunca verdadeiramente conseguiu nascer.
O Estado Fantasma
O Sudão do Sul é um país sem estradas. Literalmente. Com uma superfície comparável à da França, o país dispõe apenas de algumas centenas de quilómetros de estradas asfaltadas. O paradoxo petrolífero é cruel: o Sudão do Sul possui as terceiras reservas petrolíferas da África subsaariana, mas os seus cidadãos figuram entre os mais pobres do mundo. A corrupção é sistémica: milhares de milhões de dólares de receitas petrolíferas desapareceram em contas offshore.
A Força Ubuntu: O Gado, os Cantos e a Sobrevivência
Por trás da catástrofe estatal, as sociedades sul-sudanesas carregam culturas de uma riqueza estonteante. Os Dinka, os Nuer, os Shilluk — mais de 60 grupos étnicos — desenvolveram sistemas sociais notáveis. O gado não é apenas uma riqueza económica: é uma linguagem, uma moeda social, um sistema de parentesco. Entre os Dinka e os Nuer, um homem conhece cada uma das suas vacas pelo nome e compõe cantos em sua honra.
« Nhialic ee kɔc kuen ke raan »
Deus criou os homens para estarem juntos
— Provérbio dinka
O Sudão do Sul ensina-nos que a independência não basta se não for acompanhada de justiça. Que uma bandeira e um hino não fazem uma nação — mas que um povo que canta para as suas vacas, que dança sob as estrelas apesar da fome, carrega em si algo de indestrutível.