Moçambique: Do socialismo ao gás, os tormentos de um gigante
Moçambique é um país de 32 milhões de habitantes que não conheceu a paz desde a sua independência em 1975. Primeiro uma guerra civil de 16 anos entre a Frelimo (marxista) e a Renamo (rebeldes apoiados pelo Apartheid) — 1 milhão de mortos. Depois uma paz frágil, um crescimento económico impulsionado pelo alumínio e o gás. E agora, desde 2017, uma insurgência jihadista em Cabo Delgado, no norte gasífero.
O Gás e os Jihadistas
Moçambique possui uma das maiores reservas de gás natural de África, ao largo de Cabo Delgado. Total, Exxon, Shell investiram dezenas de milhares de milhões. Mas a insurgência jihadista — Al-Shabaab local, sem ligação com a Somália — forçou a Total a evacuar o seu site. Milhares de mortos, um milhão de deslocados. O gás que devia transformar o país tornou-se uma maldição.
A Força Ubuntu: Marrabenta e Resiliência
Os moçambicanos têm uma capacidade de resiliência forjada por décadas de guerra. A marrabenta — música nascida nos subúrbios de Maputo — faz dançar apesar de tudo. A língua portuguesa, herdada da colonização, coexiste com dezenas de línguas locais. As solidariedades familiares e comunitárias resistiram durante as guerras e continuam a resistir. O país é belo — praias, parques, cultura suaíli no norte.
« Ku hanya ni ku pirha na vanhu »
Viver é partilhar com as pessoas
— Provérbio changana
Moçambique lembra-nos que os recursos naturais podem ser uma maldição quando a paz não está assegurada, e que os povos podem atravessar o inferno e sair de pé.