RD Congo: O escândalo geológico e a rumba eterna
A RD Congo é um escândalo geológico — é assim que se designa este país grande como a Europa Ocidental, assente sobre tesouros inestimáveis: cobalto (70% das reservas mundiais), coltan, cobre, ouro, diamantes, florestas tropicais, água doce. O suficiente para fazer do Congo a potência do século. Mas os 99 milhões de congoleses estão entre os mais pobres do mundo, e o leste do país está em guerra há 30 anos.
A Guerra Sem Fim
Desde o genocídio ruandês de 1994 e os seus prolongamentos no Congo, o leste do país (Nord-Kivu, Sud-Kivu, Ituri) é devastado por dezenas de grupos armados. O M23, apoiado pelo vizinho Ruanda, controla territórios inteiros. As violações são usadas como arma de guerra. Os minérios financiam as armas. 6 milhões de mortos desde 1998 — a guerra mais mortífera desde 1945. Kinshasa parece por vezes noutro planeta.
A Força Ubuntu: Rumba e Desenrascanço
E no entanto, o Congo dança. A rumba congolesa — Franco, Tabu Ley, Papa Wemba, Fally Ipupa — é a banda sonora de África há 70 anos. A SAPE, nascida também em Kinshasa, transforma os sapeurs em obras de arte. O artigo 15 — o desenrascanço, o sistema D — permite sobreviver quando o Estado não existe. Os congoleses têm um humor feroz, uma criatividade sem limites, uma alegria de viver que desafia a lógica.
« Mbote na yo, mbote na ngai »
O teu bem é o meu bem
— Provérbio lingala
O Congo lembra-nos que as riquezas do subsolo podem ser uma maldição, e que a verdadeira riqueza de um país são as suas pessoas. 99 milhões de congoleses que se recusam a morrer em silêncio.