Sudão: O país partido entre dois generais
O Sudão era outrora o maior país de África, uma encruzilhada entre o mundo árabe e a África subsaariana, um lugar onde o Nilo Branco e o Nilo Azul se encontram. A guerra que eclodiu em abril de 2023 entre o general Al-Burhan (exército regular) e o general Hemeti (RSF) transformou Cartum num campo de batalha e mergulhou o Darfur num novo ciclo de violências. Com uma pontuação IJVA de 25/100, o Sudão é um dos países mais feridos do continente.
O Colapso de um País
Cartum era uma metrópole de cinco milhões de habitantes. Em poucas semanas de combates, a cidade tornou-se terra de ninguém. As pontes bombardeadas, os hospitais saqueados, os bairros residenciais transformados em linhas da frente. A ONU estima que mais de 25 milhões de sudaneses precisam de ajuda humanitária, ou seja mais de metade da população. Várias zonas estão em situação de fome declarada.
A Força Ubuntu: Os Comités de Resistência e o Espírito Sufi
Mesmo no inferno, o Sudão resiste — não pelas armas, mas pela solidariedade. Os comités de resistência de bairro, nascidos durante a revolução de 2018-2019, transformaram-se em redes de sobrevivência. O Sudão é um país profundamente sufi. As confrarias — Khatmiyya, Ansar, Tijaniyya — estruturaram a sociedade sudanesa. A cultura do jabana — o café sudanês oferecido a todos os passantes — simboliza esta hospitalidade visceral.
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A paciência é a chave da libertação
— Provérbio arabe soudanais
O Sudão lembra-nos que a alegria de viver não é a ausência de sofrimento — é o que sobrevive ao sofrimento. Um povo que continua a preparar café para o estrangeiro, a cantar os seus haqiba ao longo do Nilo. Os generais passam, mas o Nilo fica.